segunda-feira, 7 de junho de 2010

Lembro-me de a ver num canto. Num canto de uma rua apertadissima onde do lado direito se conseguia avistar o pôr do sol por entre os telhados das casas velhas e pequenas e do lado esquerdo, a porta da garagem de uma bela casa de arquitectura moderna.
Tinha um ar apagado e de poucos amigos. Com o olhar escondido por entre os jeitos do seu cabelo loiro, e um cigarro na mão esquerda (sim, porque sempre a conheci assim, esquerdina em tudo).
Nao era aquele o seu estado normal, nao, nao era.
Normalmente tinha o rosto cheio de vida, os olhos repletos de brilho e um sorriso rasgado nos lábios.
Mas hoje, o dia nao tinha nascido pra ela, nao era um dia feito para aquela rapariga. o ceu começava a escurecer ao mesmo tempo que o seu rosto. Nao se conseguia ao certo entender o que lhe ia no coraçao ou na mente, e se calhar era mesmo esse o preposito, nao se entender, nao se reparar, nem em nada do que ela sentia, nem mesmo nela mesma.
Se calhar era isso que ela queria, estar ali, sozinha, naquele canto daquela porta de garagem, a fumar o seu cigarro, longe de tudo e de todos, a deixar cair as suas lagrimas de frustraçao, as suas lagrimas de raiva e aparentemente sem motivo.
Se calhar, o desejo dela era estar ali, apenas, consigo mesmo, sentindo-se mais ou menos viva, sentir-se simplesmente.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ultimamente o mundo tem-me fugido dos pés, ultimamente tenho sentido tudo a escorregar-me por entre os dedos das mãos como se de areia se tratasse.
Ultimamente, tudo se tem transformado e eu não sou grande amiga da palavra 'mudança', não gosto que me tirem tudo aquilo a que estou habituada, não gosto de me sentir fora do meu 'eu', daquele que tão bem conheço, daquele 'eu' que mais ninguém se consegue aproximar tanto como eu mesma.
E, ultimamente, tenho-te deixado entrar nesse mundo tão estranho, nesse mundo tão meu, tão íntimo. Não sei até que ponto posso sorrir por tal coisa.
Não sei até que ponto te deva deixar conhcer-me, não sei até que ponto tudo pode mudar.
E se quero que mude? Não sei.
Já nada sei, já nada quero saber, já nada quero conhecer.
Acho que prefiro ir vivendo na incertaza das coisas, no desconhecido, no hoje e não no amanhã como estou tão habituada.
Por agora, vou-me habituando a esta ideia.

terça-feira, 13 de abril de 2010



Deitada sobre os lençois brancos e limpos, pensou para si mesma se valeria a pena.
Se valeria a pena magoar alugém de quem se gosta, por quem se tem uma grande estima e com quem se partilha aquilo de que chamamos de 'laço invisivel'.
Não, não valeria. Mas ela não era perfeita, ele também não.
Eram imperfeitos de um jeito único mas sabiam ter algo.
Mas como pensar demais incomoda como andar á chuva, ela fechou os olhos e deixou-se levar pelo seu melhor amigo, o sonho, deixando vaguear pela sua mente a bela da frase que alguém (talvez esse alguém) tivera coragem para dizer:
''A maior perfeição está na maior imperfeição, (e que bela imperfeição foi aquela).''
E, adormeceu.

quarta-feira, 31 de março de 2010


''let's make love and listen death from above''

segunda-feira, 22 de março de 2010


''Ninguém é quem queria ser''

sexta-feira, 19 de março de 2010

Hoje as palavras faltam-me e a inspiração.
Hoje acho que me falta muita coisa.
Que será? Que (merda) será que me falta ?!

quarta-feira, 17 de março de 2010



Tenho medo. De mil e uma coisa.
Tenho medo de desapontar que mais gosto, tenho medo que me façam o mesmo.
Tenho medo de ser eu mesma e de ninguém me entender. Tenho medo de ser julgada.
Tenho medo de errar e de não conseguir aprender com esses mesmo erros.
Tenho medo do que a vida me reserva (se é que me reserva algo).
Tenho medo de me lembrar do passado e de não saber o que o futuro traz consigo.
Tenho medo de mim mesma por vezes, tenho medo de me conhecer verdadeiramente e, sobretudo, tenho medo de não gostar do que ficarei a conhecer.
Tenho medos.

sábado, 13 de março de 2010



Ultimamente tenho sentido a terra debaixo dos meus pés novamente e sentido que eles já não descolam da mesma com a facilidade que acontecia anteriormente.
Ultimamente tenho sentido que o céu está sempre acima dos meus pensamentos e que a minha cabeça não anda á deriva, já não.
Ultimamente tenho aprendido a viver mais com a cabeça, por pensamento e lógica e não tanto com o coração, nem com impulsos.
Ultimamente tenho-me sentido livre, com vontade de correr sem sentir necessidade que preciso de atingir alguma meta ou objectivo, sentir tudo, simplesmente pelo puro prazer que as coisas têm.
Ultimamente .. ultimamente, tenho-me sentido eu (de novo).

sexta-feira, 12 de março de 2010

Hoje, quando me deixei cair na cama, no meio do silêncio das minhas quatro paredes, deu-me uma enorme vontade de ficar assim por tempo indeterminado. Ficar assim, apenas, sem explicação nem lógica, porque nem todos os nosso actos têm de possuir estas coisas.
Colocar a mão sobre o meu peito e desejar que, com ela pudesse escutá-lo, não falo do batimento cardíaco porque isso não nos traduz o que temos lá dentro, mostra-nos apenas que continuamos vivos, que respiramos. Mas queria escutá-lo, a sério, uma vez na vida, ao coração, a esse senhor que se acha dono do nosso corpo e mente.
Mas hoje, precisava mesmo muito de o fazer, muito. E insisti.
E, por estranho que pareça, pela primeira vez, consegui fazê-lo, ouvi-lo.
Ouvi-te dentro dele.

terça-feira, 9 de março de 2010



No meio da confusão, rodeada por tanta gente desconhecida, por tanto fumo e barulho senti necessidade de fugir. Aliás, esta necessidade ultimamente tem-se manifestado imensas vezes. Tenho sempre a sensação de me encontrar sozinha, ou melhor, de ter de me encontrar sozinha para parar. Sim, parar para me encontrar a mim mesma, ou talvez, parar apenas para gritar, para fugir ou simplesmente para enlouquecer.
Continuo a ser da opinião de que todos nós, de vez em quando, precisamos de encontrar o nosso refúgio e enlouquecer um pouco, nem que seja por breves insantes.
Por isso, hoje as palavras não me saem como de costume, facilmente. Hoje, tudo o que consigo fazer é expulsar gritos, talvez de loucura, ou não.
A porta estava ligeiramente aberta.
A cabeça dizia que não, que não a abrisse, pelo menos sem perguntar se o puderia fazer, mas desde quando é que a nossa vontade própria e coração não se sobrepõe ao que o bom senso da cabeça nos diz?
Ignorando então o pensamento, aproximou-se do único rasto de luz que existia naquele corredor e abriu a porta.
Ela estava deitada na cama, numa pose idealizada e com o ar mais sensual deste mundo. De certa forma, parecia que tinha estado a espera dele a noite toda.
''Estavas á minha espera?''
- Não sei. E tu, estavas á minha procura?
''Não sei também. Não estamos todos sempre á espera de algo?''
E ela, como se deslizasse pelo quarto, aproximou-se dele e contornou-o de forma provocadora, enquanto lhe falava ao ouvido:
- Talvez sim, talvez não. Mas então, encontras-te o que sempre procuras-te?
''Não, isso nunca irei encontrar, nem hoje, nem amanhã. Ou talvez encontre, um dia, ou não.''
- Conta-me lá então o que tanto procuras!
E ele, sem explicação para lhe dar, empurrou-a contra a parede, aproximou-se dela com a respiração ofegante, e rasgou-lhe a delicada camisa de noite que trazia vestida e deixou-se perder naquele misto de sentimentos e sensações, deixou-se apoderar pelo desejo.
E no fim, para além de puro desejo carnal e obtenção de afecto e carinho, de que será que andamos todos á procura?

segunda-feira, 8 de março de 2010



Hoje o dia é nosso, hell yeah.
(Happy woman day)

domingo, 7 de março de 2010



Lembro-me de todos os momentos em que acordava a teu lado, fossem eles a meio da noite ou pela manhã. Adorava ver-te ali, assim, imóvel na cama onde ambos tinhamos feito amor na noite anterior. Adorava sentir o teu cheiro por todo o quarto e encostar-me ao teu braço sem sequer te beijar a pele, senti-la apenas.
Gostava de te observar. De observar todas as partes do teu corpo enquanto viajavas em sonhos.
Conseguia ficar horas a fio a ver-te dormir. Foi sempre algo que me cativou. Encostar-me a ti, fechar os olhos, sentir o teu cheiro e ouvir a tua respiração.
Tinhas destas coisas: fazias-me feliz com os gestos mais simples e talvez mais vulgares de sempre, fazias-me feliz sem querer até.
Fazias-me feliz mesmo estanto tu calado, imóvel, em sonhos.
Faziam-me feliz esses momentos, essas noites ou manhãs.